quarta-feira, 13 de junho de 2012

Somos Iguais!

Vou começar esse texto colocando para você a seguinte imagem:


Acima, há um jovem brasileiro e um jovem suíço.
Você pode me apontar qual é qual?

Não há como, né? Podemos arriscar palpites mas, certeza absoluta? Complicado.

Bem, estou fazendo essa pergunta porque não compreendo as diferenças que se apresentam entre os povos. Na última semana, ouvi relatos a respeito da sociedade suíça e algumas coisas me chamaram muito a atenção.

Que a Suíça é um país neutro, todos sabem. Que a Suíça não possui exército, mas todos os seus cidadãos estão preparados para defender o seu país, muitos sabem.

Só que eu adorei um aspecto da cultura suíça em especial: para os suíços, o que é de graça, é obrigatório.

A própria população exige maior repressão aos
maus motoristas!
Basicamente, o que o governo suíço não fornece serviços como um direito do cidadão. É dever dos cidadãos suíços usufruírem completamente dos serviços ofertados gratuitamente pelo Estado.

Um exemplo? As escolas são gratuitas. Logo, é dever dos pais enviarem seus filhos para a escola e de toda criança completar os estudos. Faltas às aulas são imediatamente questionadas. Não existe meio-termo. O problema deve ser sanado e a criança deve voltar à escola.

O mesmo se dá para todos os outros serviços. O governo provê limpeza urbana? É dever do cidadão manter e zelar pelo asseio público.

Isso porque, em um Estado onde o cidadão nota que está pagando pelos gastos públicos, o meio público é de todos, não de ninguém.

Olha só que legal esse blog de um suíço que eu achei!

Então, eu fico imaginando: se nós não somos diferentes deles, porque nós insistimos em agirmos como completos alienados?

Sim, não estou xingando os brasileiros de burros ou de imbecis. Não somos diferentes dos outros. Só escolhemos não viver de modo civilizado, como os demais povos.

Sim, o brasileiro é criativo e é inteligente, sim. Quando estudamos, nos esforçamos e pesquisamos soluções, nossa capacidade de superar adversidades é única.

Ontem mesmo foi anunciada uma pesquisa revolucionária, feita aqui, em terras tupiniquins: estamos a poucos anos de desenvolver uma vacina contra um parasita.

Vamos ver se eu consigo explicar esse surpreendente avanço da ciência.
Basicamente, vacinas são eficientes contra uma boa parte dos vírus e alguns poucos tipos de bactérias. Criamos culturas de vírus e bactérias fracos, que não têm capacidade de instalar a doença em nossos corpos. Então, coletamos uma ínfima quantidade desses vírus e bactérias fracos e injetamos nas pessoas. Assim, esses corpos estranhos logo são reconhecidos pelo nosso sistema imunológico, que passa a produzia anticorpos. Anticorpos são células especiais, que literalmente aprendem a reconhecer os corpos estranhos e COMEM os invasores.

A ideia da vacina é simples! Quando um vírus ou bactéria de verdade entrarem no nosso corpo, já teremos anticorpos o suficiente para combatê-los. Assim, a doença se manifesta de forma branda ou sequer aparece!

O ponto todo é que a vacina estimula células a combaterem micro-organismos.
A genialidade brasileira aqui?
É que a esquistossomose é causada por um verme. Um ser composto. Um parasita. Não estamos falando de algo microscopicamente invisível. Estamos falando de um bicho. Pequeno, é verdade. Mas visível a olho nu. Uma vacina contra um inimigo assim é única! E é brasileira.

É aqui que forma-se o nó na minha cabeça. Por qual  motivo não somos capazes de formar uma sociedade decente? Mas, no mesmo momento que tratamos com total descaso a nossa terra e o que ela representa, revolucionamos a saúde no mundo, trazendo perspectivas de extinguir mais uma doença que mata milhares de pessoas todos os anos?

Confesso para vocês que é complicado demais para que eu possa compreender tal paradoxo.