domingo, 10 de junho de 2012

Paliativos Animais

Ontem eu falei contra paliativos. Citei que só a solução ideal me importa.

Bem, acabei de ver um documentário. Acordei, liguei a TV e, mesmo meio grogue de sono, ainda, parei em um programa da Animal Planet. Não sei o nome. Basicamente, ele consiste em uma equipe de TV seguindo os oficiais da Proteção dos Animais de uma cidade dos EUA.

Vou dizer duas coisas sobre o programa:
1 - É FODA o que algumas pessoas fazem com seus animais. Em tese, deveriam ser animais de estimação, mas, na prática, são animais para "torturação" (se os chatos de plantão me permitem a corruptela).
2 - É MAIS FODA o modo como, na prática, funciona um sistema onde as pessoas são empenhadas em cumprir os seus deveres. Isso, é claro, sobre os oficiais da Proteção dos Animais.

Impressiona é que as leis de proteção aos animais, lá, são muito parecidas com as leis, daqui. As pessoas não podem maltratar seus animais, se os bichos estão sofrendo mal tratos a polícia é chamada e o animal é retirado do infrator. Após exames que juntem evidências, o antigo dono do animal é julgado.

Tudo isso que existe lá, existe aqui.

Porque lá funciona, e aqui não?

Começo assegurando que a diferença não é o amor pelos animais. Lá, os oficiais têm a mesmo empatia pelos bichanos, que nós. Talvez, aliás, nós tenhamos mais empatia, ainda. Mas é só suposição minha. Imagino essa suposição porque, lá, animais sem donos e mal tratados são considerados um perigo à saúde pública. Animais que são resgatados e não conseguirão sobreviver aos maus tratos são sacrificados. Animais que conseguem sobreviver, mas representam perigo à sociedade e/ou não conseguem adoção, são sacrificados.

É, eu sei. Até eu que não gosto de bichos de estimação sinto pena. Pobre bichinho, não tem culpa do que aconteceu, não merece o destino trágico.

Mas... Não deixemos os nossos sentimentos turvarem nosso raciocínio, tornando-nos protetores de animais inconsequentes e idiotas.

Por mais frio e racional que seja o tratamento que a lei norte-americana dá aos animais sem donos, é o ideal. Temos, sim, que colocar a vida do pior ser humano a frente do melhor animal. Animais soltos, nas ruas, reproduzindo de forma desordenada, espalhando lixo e, pior, parasitas e doenças, são um perigo para todos. Para nossas crianças, jovens, idosos e até para eu e você.

Mas, mesmo tendo que aplicar uma lei tão dura, é fantástico ver como eles se empenham. Entram em casas sem serem convidados. Invadem a intimidade, fazem perguntas que chegam até o nível de "com que dinheiro você está comprando comida para seus animais?".

Fazem um trabalho excelente de prevenção, vigia ostensiva, combate e resgate, com os animais e seus donos.

Por um segundo fiquei imaginando o Brasil, e todos nossos compatriotas que "amam" os bichos. Sendo bem sincero, o empenho individual para cuidar dos bichos, aqui, é memorável. Digo até ímpar. Mas não há pressão alguma para que as autoridades mantenham canis, funcionários, oficiais e toda a equipe e estrutura necessários para que sejam recolhidos os animais da rua, sejam tratados e encaminhados a outros lares.

"Mas Arthur, aqui o problema é tão grande! Não tem como exigir que tudo se conserte!"

Sim e não, amigo. Concordo que o problema esteja em níveis de descontrole total. Mas nenhum problema é grande demais que não possa ser manejado. Deixaram que o descaso com os animais crescesse até um ponto aparentemente sem volta. Mas, com planejamento e trabalho duro, sempre há como arrumar tudo. Concordo com a dificuldade. Mas discordo que seja impossível.

Aliás, esse é o problema de tudo, no Brasil. A saúde está em colapso, porque o descaso empilhou problemas. A segurança, idem. A justiça, a educação, o trânsito, aeroportos, distribuição de energia...

Tudo é feito no Brasil à base do "tapa buraco". Ninguém quer arregaçar as mangas e fazer um trabalho de médio e longo prazo. Como disse ontem, preferimos dar agasalhos e comida para os necessitados, no inverno, do que manter uma política que dê lares para os moradores de rua ou dê mais dignidade à quem tem muito pouco.

A pergunta que eu te faço nesse domingo é simples: O que falta para você parar, pensar e agir?