sábado, 23 de junho de 2012

YOLO / Vida Loka


“Você sempre soube. Eu não sabia.”

“YOLO” é a sigla norte-americana para “You Only Live Once”. Em tradução livre, é algo como “Você só vive uma vez”. Entretanto, a tradução oficial de “You Only Live Once” no Brasil significa “ViDa Loka”.

Em um primeiro momento, quero deixar explícito que até nisso os norte-americanos são melhores que a gente. “Você só vive uma vez” suscita mais pensamentos – por si só – do que “vIdA lOkA”. Quem pensa muito a respeito de “Você só vive uma vez” até passeia em pensamentos positivos, por alguns momentos. Faz você pensar que deve aproveitar o momento vivido, porque ele só passa uma vez.

Só que, por mais divertida, romântica e ousada que pareça, essa brincadeira de “aproveitar cada segundo” é um dos maiores tiros no pé que alguém pode disparar. Se a burrice é a mãe de todas as atitudes que fazem uma pessoa se arrepender, a “vIDa lOKa” é sua filha mais pródiga.
O problema dessa filosofia “VidA LokA” é que as pessoas parecem ter parâmetros no mínimo imediatistas, para “aproveitar a vida”. “Imediatistas”, obviamente é um eufemismo. “ViDaS LoKaS” podem imaginar algo mais depreciativo e se sentirem ofendidos, à vontade.
A brincadeira de “curta a vida porque a vida é curta” é uma falácia risível. Daquelas que você conta em festas para que as pessoas dêem risadas e se esqueçam no próximo gole de cerveja. O problema é que sempre tem um desavisado que acha que a brincadeira é séria e acaba adotando a filosofia. Geralmente porque quem fez a brincadeira foi alguém popular. Sim, o desavisado acaba achando que sendo “vIdA LoKa” vai ser popular.

Meu amigo, a vida não é curta. Talvez no tempo das cavernas, quando as pessoas que eram chamadas de anciões tinham trinta anos. Digo “talvez” porque trinta anos – por si só – não são pouca coisa. É tempo suficiente para que qualquer um de nós consiga mudar o mundo inteiro. É tempo suficiente para qualquer pessoa revolucionar o mundo com ideias, teorias, ciências, artes, etc... Aliás, muitos nem precisam chegar a vinte anos. Quiçá trinta!

Bem, eu nem preciso comentar com você, diferenciado leitor do Ponto Final, que até os países mais pobres do mundo já possuem expectativas de vida maiores que trinta anos. A esmagadora maioria das nações tem, pelo menos, o dobro disso. Alguns povos, inclusive, chegam a esperar viver mais que três vezes esse tempo.

O saneamento e a medicina já fizeram com que conseguíssemos mudar nossos hábitos de higiene, alimentar, laboral, comportamental e de prevenção e tratamento de doenças, fazendo com que o ser humano conseguisse uma sobrevida inimaginável há alguns poucos séculos no passado.
E, no ritmo em que as pesquisas nessas áreas estão evoluindo, não será nenhum espanto que a nossa geração chegue naturalmente até os cem ou cento e dez anos, assim como a geração dos nossos pais consegue chegar aos oitenta.

Basta, para isso, seguir os bons hábitos e ter o mínimo de bom senso.

Nesse panorama, fico imaginando onde se encaixa o pensamento da curtição da vida, sem se preocupar com as conseqüências.

Para não citar os casos mais graves, só fico imaginando pessoas que escolhem não estudar, não trabalhar ou, simplesmente, gastam seu dinheiro de forma desordenada
Pessoas que parecem não notar que o amanhã bate a porta. Que os dias se empilham em uma seqüência quase interminável. E que, se não tiverem um plano bem programado e estabelecido para cada dia de amanhã, o presente acabará se perpetuando tão indefinitivamente quanto os seus dias na Terra. Isso, é claro, se a entropia não tomar a vantagem e transformar cada pequena conquista aleatória em uma saudade do passado.

Porque cada atitude “vIDA lOKA” é como se fosse uma puxada no gatilho da roleta russa. E todos sabem o final da brincadeira da roleta russa. Algumas vezes as atitudes podem ser tomadas sem que haja maiores conseqüências. Mas uma hora a bala estoura. E todo um futuro é jogado no lixo por causa de um breve momento de satisfação.

“Ah Arthur, mas é só comigo!”

O problema não é só contigo. Nunca é. 
Primeiro que existe uma legião de “ViDAs LoKAs” por aí.
Somado a esta legião, estão as pessoas que se deixam influenciar diretamente, pelas “vIdaS lOkaS” (filhos, amigos, etc...) e acabam se tornando – eles próprios – novos “viDAs LoKAs”.
E as conseqüências dos atos de toda essa tropa? Claro que caem em familiares, amigos, etc, etc...

São anos de pesares, por causa de momentos de felicidade.

Eu? Eu prego a austeridade. Não por algum cunho moral. Mas porque é o logicamente correto a se fazer. Planejar poupanças e investimentos como se fossem compras vitais. Planejar cada atitude, pensando sempre no bem maior e no futuro. Crescer sempre, porque o amanhã é incerto e ninguém quer passar por dificuldades.
Ou, simplesmente, porque a gente sabe que tem alguém próximo que é “VIDA LOKA” e vai acabar precisando de ajuda...