quarta-feira, 20 de junho de 2012

Marcha por Marchas Úteis!

As marchas se espalharam. Louvável. Mesmo. Em um país morto de revoluções, algumas pessoas marcharem com cartazes e palavras de ordem já é um avanço monstruoso. Quase como um macaco dominar a arte de fazer fogo.

Mas, se por um lado as pessoas passarem do "tuitaço" para uma marcha já é algo fascinante, por outro lado ainda temos que aprender muito sobre o que é uma marcha...

Tem uma duas semanas, por exemplo, que o Testosterona publicou uma PIADA, a Marcha da Cerveja:


Eu, é claro, não poderia ficar de fora da piada! Fui logo postando que haveria uma marcha da cerveja, na boemia rua Lima e Silva, com todos os participantes em protesto velado, tomando cerveja nos bares. Claro que essa marcha houve. Até houve um show de encerramento com a bada Matanza, no Opinião. Essa marcha funcionou muito bem, até!


Só que.... Só pelo último comentário da foto acima você já notou que havia gente que não tinha pego o espírito da coisa. Pessoas que REALMENTE queriam protestar contra o aumento de 2,85% no IPI para cervejas e refrigerantes...

Criaram um Evento no Facebook que teve mais de quinhentas adesões! Mais de quinhentos desocupados que, aposto, nem sabiam o ~fenomenal~ aumento que a cerveja irá sofrer...

Pelo menos o bom-senso tomou conta desse pessoal e, no final, meia dúzia de descendentes de Odin apareceram na redenção, às 15hs de um domingo gelado.



Mas esse pessoal não perdeu a viagem. Estava passando por ali, na mesma hora, outra marcha mais absurda, ainda. A Marcha pelo Parto em Casa!

Sim, você não leu errado. Em plena época da ciência, da informação e dos mais brilhantes avanços tecnológicos da história da humanidade... Mulheres estavam marchando pelo direito de parir em casa, sem acompanhamento médico.

Olha, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi algo como: "Que se danem. Se elas querem, que morram de complicações no parto por conta própria."
MAS.... Tem sempre o "mas", né?
Mas eu logo lembrei que o parto não é só da mulher. Aliás, o parto nem é da mulher. O parto é da criança. Há um segundo corpo, ali. Uma vida que não teve o direito de dizer se queria ou não acompanhamento médico especializado, para reduzir as chances de morrer.

Por falar em escolha, assisti e li com atenção aos motivos que levaram várias mulheres a quererem parir em casa, sem supervisão.
Talvez o principal e mais maluco seja que elas simplesmente não entendem porque alguns médicos optam por cesariana. Uma das alegações delas era que os médicos faziam cesarianas para apressarem os procedimentos, livrando os hospitais de custos.
MAS QUE BOBAGEM!
Pouco tempo atrás houve uma campanha nacional para que as mulheres decidissem por partos normais. Partos normais demoram mais para acontecer, mas, na maioria esmagadora dos casos, a mulher recebe alta em poucas horas. Muitas têm o filho e dormem em casa no mesmo dia! O que teria menos ônus para os hospitais???
Corpo do Bebê,
Parto do Bebê,
Escolha do Bebê!
Em contraponto, partos via cesariana requerem - necessariamente - anestesias, gastos de material hospitalar e internação de alguns dias, para que os pontos cicatrizem ao menos. Bem mais caro, não?

Também li que elas querem ter o direito de escolher. Amiga, você escolhe uma blusa, uma comida, que horas vai dormir e coisas do tipo. Só envolve você. Parece que as mulheres não entendem que, enquanto grávidas, elas estão carregando uma segunda pessoa, dentro delas. Alguém que tem direitos assegurados, também. Alguém que precisa pelo menos da observação médica, quando nasce.

Vou só lembrar que uma das maiores lutas da HUMANIDADE é o combate à mortalidade infantil. O número de crianças que morre no parto é astronômico. O número de mulheres é gigante, também. Nos últimos duzentos anos estamos aprimorando as técnicas para garantirmos o pré-natal e a concepção. Pessoas que têm acesso a cuidados médicos tem uma taxa de mortalidade absurdamente menor do que as que não possuem.

A pergunta que fica é: para que voltar para o passado?

Bem, outro dia uma amiga postou a seguinte tirinha, no Facebook:


Duas observações:
1 - O que está escrito é ininteligível porque representa o que o aluno que está lendo a prova entendeu. Ou seja, NADA. E isso é reflexo de uma juventude que não lê, mais. Que não se esforça para abstrair conceitos. Que está acostumado com Wikipédia para fazer CTRL+C, CRTL+V, colocar o nome, imprimir e, assim, mentir que fez algum trabalho.
2 - A resposta da primeira questão está no enunciado da segunda, refletindo o nível da grande maioria dos professores do nosso país. Também pudera: a classe é tão desvalorizada (GANHAM POUCO) que só as pessoas que realmente amam lecionar e os desesperados por algum dinheiro, se sujeitam a esse tratamento. E, infelizmente, o número de professores por ideologia é ínfimo. E caí vertiginosamente a cada dia.

Enfim: de um lado uma massa de professores sem preparação e/ou vocação (com pontuais e raras exceções) para ensinar uma massa de crianças mal criadas, molengas e mal acostumadas.

Essa combinação só pode resultar em bêbados que não sabem calcular que a cerveja vai aumentar, em média, menos de vinte centavos. Ou de pais que acreditam que a supervisão médica aumenta as chances de seus filhos sofrerem, durante o parto.

Mas é como eu disse lá no início do texto. Já é um avanço. Já estamos nos levantando para algo. Já existe a intenção. Falta só direcionar para algo que seja realmente importante!

Quem sabe a gente não crie uma Marcha pela criação de Marchas Úteis para o país?