domingo, 24 de junho de 2012

Concursos Caça-Niqueis

Grizzotti e fraudes em concursos.


Eu já fui "concurseiro", sabe?
Aliás, o sonho (ou realização de vida, mesmo) da minha avó é que eu passe em algum concurso e "faça minha vida".


Amigo, fosse o Brasil um país realmente sério, eu teria seguido a minha fase de "estudante para concursos", até ser aprovado para algum cargo legal.


Só que, né? Nós estamos falando de Brasil. E o nosso país não é sério.


Na última semana, o repórter da RBS @giovanigrizotti fez uma reportagem mostrando irregularidades na aplicação de provas de concurso, em cidades. Saiu até no Fantástico do último domingo.


Basicamente, as empresas que aplicariam as provas já eram contratadas pelas prefeituras através de licitações fraudulentas. A empresa ganhadora, então, deveria armar o concurso para que os escolhidos pela prefeitura passassem nas provas.


Havia até um esquema elaborado para que não levantasse suspeitas: um ou dois laranjas gabaritariam a prova e os escolhidos ficariam logo atrás desses laranjas, na classificação. Então, os laranjas desistiriam da vaga e o protegido assumiria o cargo.


Fico imaginando os pobres coitados que passam anos estudando, pagando cursinho, se matando e sacrificando as finanças da família para prestarem concursos. Aí, um espertalhão entra por causa de um esquema desses.


Mas isso tudo é o reflexo de um modelo ultrapassado. Já começa nas licitações. Nem sempre o mais barato é o melhor. Melhor. Deixem-me corrigir esse dito popular: NUNCA o mais barato é o melhor. Escolher o prestador de serviços pelo preço mais baixo é algo extremamente superficial. Depois, a qualidade das obras é tão baixa quanto os custos dela. A qualidade e durabilidade são prejudicadas e quem arca com as consequências é o povo, que têm que pagar por mais manutenção ou, até mesmo, pela reconstrução.


Talvez fosse o caso de manter um cadastro detalhado de empresas, com estatísticas de suas obras e ações. Assim como um site genial que avalia o trabalho dos políticos:


http://www.politicos.org.br/


Depois, eu critico demais o método de seleção de funcionários públicos. Uma prova com algumas dezenas de questões, somente, não é o método que garanta que os melhores estão nos cargos vitais para a prestação dos serviços públicos.
Tá, eu sei, alguns concursos, como o da Polícia Federal, têm mais do que a prova escrita.
Mas eu acho que é pouco. Tempo de trabalho no ramo deveria contar alguns pontos, também. Pelo menos como um critério de desempate. O que seria muito mais justo do que desempatar candidatos pelo número de filhos que eles possuem...


Por fim, esses concursos todos só existem por causa do tamanho do Estado brasileiro. O Brasil oferece muitos serviços e, via de regra, com péssima qualidade. Esses serviços são oferecidos de forma "gratuita" o que já representa uma afronta à livre concorrência. Só que de "gratuitos" não têm nada: todas as classes pagam impostos pesados sem notar. Impostos sobre impostos, inclusive.
Sim, cada brasileiro pode ter certeza: de cada R$100,00 que ganha, pelo menos R$40,00 vão para o governo. Seja em impostos diretos, seja em impostos embutidos em cada produto ou serviço que você compra.


Dessa forma, o governo acaba cobrando caro para que pessoas - em seu maioria - despreparadas e/ou inexperientes prestem serviços de baixa qualidade para a população.


Aí eu pergunto: Se não tivéssemos que deixar 40% do nosso salário para o governo... Se o preço de todos os produtos e serviços caísse em 40%. O que você faria com esse dinheiro a mais? Mais compras, certo? Um plano de saúde, talvez? Contratar uma empresa de vigilância, com sistema de segurança eletrônico?


É, amigo. Em um Brasil de "expertos", eu prefiro continuar sendo um idiota, mas sempre honesto.