terça-feira, 26 de junho de 2012

Ande pelo Lado Certo da Rua!

Deixe-me fazer uma consideração breve sobre o passeio público.

Até o início da idade média, as ruas serviam para que as pessoas andassem pelos campos sem se perder. Locais geralmente sinalizados e pouco movimentados, ligavam as cidades da antiguidade com certa segurança.

Aí, veio a idade média e os famosos feudos. As estradas sumiram. Se você nascia em um feudo, precisava de salvo conduto ou passaporte, para passar pelas terras de outros feudos. Senão poderia ser morto.

Com os primeiros grandes Burgos e a popularização dos passaportes, logo ressurgiram as estradas.

Só que... As ruas das cidades e as estradas não eram feitas para veículos. Sequer para cavalos. Essas estrada medievais eram para que pessoas passassem a pé, mesmo. Duvida disso? As estradas romanas chegava a ter uma pedra, alta o suficiente para estragar o eixo das carroças, no meio fio a cada certa distância. Sem falar que o tamanho das estradas era o suficiente para que não coubesse uma carroça, devidamente.

Aliás, cabe aqui dizer que não foi a calçada que foi criada para proteger os pedestres dos veículos. A calçada veio primeiro. As ruas antigas eram compostas somente de calçadas, divididas pela sarjeta - um valo onde corria o esgoto das casas a céu aberto. Os cavalos das carroças passavam nessa vala, sujando todos a sua volta. Então, as valas foram se alargando, para proteger um pouco mais os transeuntes. Até que se estabeleceu uma depressão entre as calçadas, por onde passavam duas carroças.

Mas voltemos ao trânsito de pessoas. Essa foi a época mais violenta da humanidade, era comum que as pessoas passassem umas pelas outras com as espadas cruzadas.

Sim, ingleses mantém a esquerda no trânsito até hoje, porque era o óbvio a ser feito lá na idade média: você cruza com as pessoas apontando-lhes a sua espada, com a direita. Pronto para se defender, em caso de ataque.

Mas porquê mantemos a esquerda e não a direita, no Brasil (e em quase todo o mundo)? Porque o maluco do Napoleão era canhoto, o desgraçado. Aí, com seu absurdo senso de inferioridade, ele fez com que as pessoas passassem a oferecer a esquerda, quando cruzassem em alguma estrada. Assim ELE poderia se defender.


Só que isso gerou um efeito colateral interessante. As pessoas passaram a oferecer os escudos, umas às outros, em lugar das espadas. Inconscientemente, Napoleão humanizou um pouco o mundo.

Aliás, a ideia da mão trocada não é só algo humano, no sentindo bonito da palavra. É algo totalmente cívico. As pessoas mais lentas ficam mais à direita, protegidas atrás de seus escudos, enquanto os mais rápidos e fortes tomam a esquerda, protegendo os mais lentos e fracos.

Esse costume ficou tão bom que é replicado para o mundo inteiro, hoje.

Então, amigos, manter a direita não é algo só para carros. Eu sei, No país dos carros as estradas e rodovias são feitas antes das calçadas e ferrovias. E, por isso, você está lendo - incrédulo - o que eu estou escrevendo.

E, como nem nossos avós foram ensinados disso, seus pais e professores não sabiam para te explicar. Mas o modo civilizado de andar na rua é sempre tomando a direita. Se vais ultrapassar alguém mais lento, faça-o pela esquerda. Assim como os carros deveriam fazer, por extensão.

Eu falo isso não por ser melhor ou mais educado. Mas por ser mais prático. Em uma rua, shopping, lojas ou qualquer outro lugar, fique a direita. Se for parar, em qualquer lugar, não se atravesse no meio da calçada. No supermercado, "estacione" o carrinho rente à prateleira. Não atravesse-o no corredor, como se só existisse você na loja. Não prejudique o fluxo. Ande direito você também!