quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pela Volta da Idade Média!

Sim, quero abrir uma campanha pela volta da Idade Média.

Que alguma doutrina fundamentalista/alienante tome conta logo da humanidade. Determine o modo de vida de cada pessoa, antes de seu nascimento.

Por um mundo onde os poderosos nasçam em berço de ouro, geração após geração, enquanto os pobres já venham a este mundo sabendo que passarão por milhões de provações e privações, só para sustentarem os luxos de seus senhores.

Por um mundo onde a população burra, que vende voto e age contra a lei saiba que estará sempre no mesmo nível social, sendo explorada de modo sistemático.

Por um mundo onde as pessoas tenha a exata noção de que não possuem voz ativa e nenhum poder para alterar o destino imposto.

Ontem, foi ao ar uma notícia de uma mulher que criou um cachorro cuja raça é PROIBIDA em seu país (Grã-Bretanha). A pena para este caso é o cão ser sacrificado. Tudo escrito, previamente. Aprovado por legisladores. Políticos, esses, eleitos pelos cidadãos. Provavelmente, o voto da dona do cão ajudou a eleger um dos políticos que aprovou a lei.

Mais de 200 mil. Veja bem... DUZENTAS MIL PESSOAS assinaram uma petição, pedindo que o cachorro não fosse sacrificado. Mas a justiça britânica não deu ouvidos. O cachorro foi sacrificado conforme a lei determinava.

Amigo, isso é vitória da DEMOCRACIA sobre os interesses do indivíduo. A lei foi escrita para proteger a maioria de raças de cachorros agressivos. Esse cão, em particular, poderia até não ser violento. Mas, se esse cão ficasse vivo, outros idiotas pessoas iriam querer ter animais da mesma raça. E essas feras iriam retornar à sociedade. E mais ataques ocorreriam. Tipo, o mesmo princípio de uma arma de fogo: só há mortes por armas de fogo porque elas existem, certo?

Porque a minha revolta no início do texto? Porque a população em geral não merece os privilégios que desfrutam. Privilégios pelos quais muitas pessoas morreram, só para que você pudesse usufruir.

Assim como esses duzentos mil britânicos, nós brasileiros parecemos que não entendemos como as coisas funcionam, em nossos países. Aliás, parece não. Não entendemos de verdade.

E o pior é que não vai adiantar eu citar, aqui, como funciona a democracia. Não adianta dizer que o voto da maioria vence o voto da minoria. Coisa básica. Votos vencidos devem se submeter ao grupo dos votos vencedores. Simples assim. Se o Brasil vota que aborto de anencéfalos é legal, quem acha que deveria ser ilegal deve aceitar. Se o Brasil acha que cotas para raças em faculdade é legal, quem não acha deve aceitar.

Mas aceitar não significa ficar calado. Embora você deva viver de acordo com o estipulado em lei, a lei sempre pode ser revista. Vai da sua percepção, capacidade de argumentação e da sua capacidade de convencimento sobre as outras pessoas. Até que a maioria concorde contigo. Até que essa maioria exija nova votação. Até que você consiga reverter o quadro, democraticamente.

Amigo, estamos em um país que os políticos votam as leis. E somos nós quem votamos nesses políticos. Aqui, você deve votar em uma pessoa que manifeste opiniões que você concorda. Para que tenhas certeza que as suas opiniões serão defendidas nos plenários. Para que, através do seu representante, sua ideia seja ouvida.

É assim que você muda as leis que não concorda. É assim que você cria mecanismos para que todos vivam melhor. É assim que VOCÊ administra o SEU país.

Ter essa capacidade de direcionar o seu país para onde você quiser é recente. Faz menos de trezentos anos que isso é possível. Antes, reis déspotas e imperadores literalmente cagavam regras absurdas e inconstantes para o povo, que não tinha direito nem garantia nenhuma de vida.

Mas, como nenhum de nós leva a sério todo esse poder de comandar o próprio destino, eu abro a campanha pela volta da Idade Média. Coloquemos os reis novamente no poder. Vamos passar nossas vidas sem a certeza do amanhã, sem direitos e sem a mobilidade social.

Talvez, quem sabe daqui uns dois mil anos, nós aprendamos a lição e possamos voltar a tentar utilizar a democracia.