segunda-feira, 16 de julho de 2012

Planejamento!


A maior invenção da humanidade foi o sistema completo de saneamento básico. Você pode não notar, porque nasceu em uma época onde todas as casas já possuem algum tipo de sistema de saneamento. Cidades médias, grandes e até algumas pequenas já possuem um sistema de coleta e tratamento de esgoto. Cidades realmente bem administradas, inclusive, separam os dutos e dão tratamentos diferenciados, para cada tipo de esgoto.

Talvez você nem saiba, mas isso mudou o estilo de vida de cada cidadão, no mundo. Doenças são evitadas. As cidades puderam aglomerar muito mais pessoas. O cheiro das cidades passou de um coquetel de fedores de urina, excrementos e toda sorte de dejetos que eram arremessados pelas sarjetas, para um composto de gases de carbono. As ruas, antes tomadas por dejetos, puderam ser utilizadas para passeios agradáveis.

Esse cenário me faz compreender a fixação européia por flores, perfumes e especiarias. Em um mundo com cheiro tão desagradável, coisas com cheiro bom – ou simplesmente forte o suficiente para mascarar a falta de banho – eram muito desejados e, portanto, valiosos.

Vai dizer: acabei de escrever três lindos parágrafos explicando que a humanidade se empenhou em tirar a merda do meio da rua.

Isso, amigo, aconteceu somente por planejamento. Puro e simples. Pensamento antecipado para coordenação de esforços individuais, na execução de pequenas tarefas simples que, quando combinadas, geram um resultado surpreendente.

Mesmo porque, convenhamos, todas as tecnologias empregadas, hoje, para resolver os problemas de saneamento básico já existem a mais de mil anos. Porcelana, esmalte, canos e tubulações.

O diferencial para resolver o problema enorme do saneamento foi o planejamento.

Planejamento, esse, que não é característica do brasileiro.

Nós não temos a capacidade de pensar com antecedência nas coisas. E, mesmo que alguém consiga traçar metas, o conjunto brasileiro não é capaz de praticar a austeridade necessária para alcançá-las.

Somos a nação do imediatismo. A nação que busca o resultado fácil e rápido para as mazelas que nos atingem.

Quer ver um exemplo?

No Brasil, pouquíssimos compram seguros, voluntariamente. A exceção do seguro veicular - afinal, brasileiro deixa de comer mas não deixar de ter um carro ou moto - nós só compramos seguros quando somos forçados, quando não notamos ou quando ele vem "embutido" no produto. 

Fora isso, só quem tem muita grana pensa e compra seguros.

Aí, quando alguma intempérie da vida nos atinge, não temos uma poupança para nos salvar do sinistro. Qual a nossa solução? Recorrer a empréstimos, claro! Aí, o que custaria cem reais passa a custar "cento e juros cobrados" (se não chegar à casa do "duzentos e juros cobrados", claro...).

Sim, estou falando lá no particular, no individual. Eu, você, nossos amigos e cada pessoa comum aqui nessas terras tupiniquins. Sai o salário e pensamos: "sobrou dinheiro, o que eu vou comprar??" ou "droga, todo o dinheiro do salário é para pagar prestações dos outros meses...". 
Agora, pensar em guardar dinheiro? 
Investir?
Contratar um plano de saúde?

Não, amigo. Isso é demais para cada um de nós.

Nós próprios que, a cada eleição, queremos que os candidatos se preocupem com o nosso futuro. Gostamos de ouvir candidatos que prometem "investir em educação". Entretanto, nem o candidato, nem eu e nem você sabemos o que seria "investir em educação". Não temos a menor ideia de quais ações colocar no papel, a fim de planejar a educação.

Então, vem um "entendido" dizer que "planejar a educação é complicado, porque a resposta vem em pelo menos vinte anos". Sim. E até esse "entendido" não sabe o que fazer para atingir a meta.

Não tenho uma conclusão para isso. Só queria alertar, mesmo. É mais um ano de eleições. Mais uma chance para que cada um de nós faça o melhor. Pensem antes de votar. Analisem os candidatos pelo melhor para a cidade, não pelo melhor para a sua conveniência. É um ponto crucial, excelente para começarmos a treinar nossa capacidade de planejamento.