quinta-feira, 5 de julho de 2012

Monte Sinai - Ameaça de Surra!

É, amigo. Não tá fácil.


Esse de costas é o dono da Monte Sinai.
Como faço todos os dias, saí do trabalho após as 18hs. Raramente faço hora extra, e hoje não seria uma exceção. Coloquei meu casaco, liguei o rádio do meu celular para escutar o Pretinho Básico das 18hs, peguei o meu guarda-chuvas (levei porque o Kléo Khun disse que iria chover hoje, mas me enganou) e tomei o meu rumo de casa.


Desci as escadas, tomei a calçada, dobrei a esquina (à frente da Monte Sinai) e fui-me. Estava preocupado em rir das piadas do Pretinho Básico quando o proprietário da Monte Sinai se põe à minha frente, impedindo minha passagem.


"Se tu ficar olhando para minha filha, tentando intimidar ela, eu te mando para o hospital! Furo esses teus dois olhos!" - ameaçou-me o proprietário da Monte Sinai.


Amigo, além de ter sido abordado de surpresa, estranhei mais ainda a afirmação dele: Como assim eu havia encarado sua filha, tentando intimidá-la?


Confesso que eu lembraria se tivesse feito uma coisa dessas. Primeiramente porque não é típico da minha pessoa (que teimo que tenho 1.69ms, mas devo ser mais baixo, ainda) intimidar os outros. Em um segundo momento, nem me recordo de ter cruzado com a filha dele!


Então passei a remexer minhas memórias. Quando eu poderia ter feito isso? Será que fiz sem notar?


Na terça-feira um colega de trabalho me deu uma carona. E eu lembro que havia duas pessoas no nosso estacionamento.


"Ah Arthur! Como tu pode não saber quem são as pessoas? Tá mentindo que não viu alguém por quem tu passou?"


Quatro considerações:


1 - Não tem iluminação na frente do prédio do meu trabalho. E 18hs já está escuro, aqui pelas bandas do Rio Grande do Sul.


2 - Tenho quase quatro graus de hipermetropia E astigmatismo, em cada olho. E um óculos que, confesso, já passou da hora de trocar. No escuro, a mais de um metro de distância, qualquer um que passe na minha frente é uma silhueta escura e borrada. Para falar a verdade, a menos de dez metros eu já sou incapaz de identificar quem é quem.


3 - Trabalho das oito da manhã até as seis da tarde na frente de um computador. Quem trabalha na frente de um PC sabe como os olhos ficam, no final do dia. E ele tem certeza que eu distingui a filha dele, menos de cinco minutos depois de acabar o expediente, no escuro, com a graduação que eu uso nos óculos. Até parece que eu conseguiria.


4 - E, mesmo que soubesse que era a filha dele ali, eu não tenho um porquê para intimidar ela (ou qualquer outra pessoa no mundo)! O meu assunto com eles eram as motos atrapalhando a passagem de pedestres, estacionadas na calçada em frente a loja. E isso já havia sido resolvido. Porque eu iria querer intimidar a filha dele?


Então, depois de ser ameaçado, eu tentei desviar dele, para continuar com meu caminho. Ele não só se pôs à minha frente, novamente, como segurou o meu braço. Não foi forte. Aliás, esse gesto nem me impediria de seguir meu caminho. Mas eu parei. Olhei para o meu braço, olhei para ele. Ele notou a merda que fez. Soltou o meu braço. Ameaçou-me mais uma vez. Mas eu dei as costas e segui meu rumo.


Dali, fui ao mercado e, depois, para casa. Dei uma Stalkeada para saber quem estava me ameaçando. Com os dados dele, fui à Delegacia Civil. Você já viu um Boletim de Ocorrência? Então, no serviço vou escanear e colocarei-o aqui, abaixo:





Não só fiz o Boletim de Ocorrência, como vou representar contra ele.


O caso, aqui, é simples. A Monte Sinai já estava tomando o passeio para exercer suas atividades. Como se fosse dona do passeio público. Talvez nem notassem, mas atrapalhavam as pessoas que ali passavam. Eu estou trabalhando por aqui a pouco mais de um ano e, em todo esse período, eles abusaram da prática.
Eu apenas denunciei-os. Não sei se foram multados. Não sei se tiveram os veículos removidos. Não sei se foi só uma bronca de algum fiscal. Aliás, nem sei se eles simplesmente só viram o meu tuíte e tiraram as motos do passeio, espontaneamente.
O fato é que tiraram as motos e, agora, estão putos da cara comigo. Como se EU tivesse feito algo errado.
A que me cheira essa ameaça de hoje? A desejo de vingança.


Onde já se viu vir me ameaçar porque notou um "olhar de intimidação" meu?


Enfim. Não revidei. Não falei uma palavra. Tomei as providências cabíveis.


Não sai da minha cabeça a frase "e a boa vizinhança?", que ele me dirigiu na segunda pela manhã.
Ameaçar furar os olhos e mandar alguém para o hospital não é uma prática de "boa vizinhança", assim como atrapalhar a passagem dos pedestres.