sexta-feira, 27 de julho de 2012

O Problema dos Paliativos

Paliativo é algo provisório. É algo que até resolve no primeiro momento, mas precisa de atenção, tão logo seja possível.

O problema é quando o paliativo torna-se permanente.
Piora quando o paliativo é tão comumente transformado em solução permanente, que vira um hábito.
O hábito de usar paliativos é a famosa gambiarra. Uma coisa feia. Horrível. Mas que o povo adora.

Quer um exemplo? Macas de hospital não são leitos. Macas servem para a emergência. Para o transporte rápido. Mas em muitos hospitais, as macas já são contabilizadas como leitos disponíveis. E tem gente que fica feliz em estar em uma maca e não no chão.

Quer ver outro exemplo?

Eu não gosto de "ismos". Qualquer movimento que exija "direitos" e "igualdade" para as minorias.

Entenda, primeiramente: eu sou a favor da igualdade completa. Considero todas as pessoas iguais. Por isso, ninguém precisa de tratamentos especiais. Não existe qualquer característica no ser humano que o torne mais especial que qualquer outro no mundo.

Mas alguns grupos se unem, formam movimentos e passam a protestar pelos seus direitos. Enquanto o grupo não possui os mesmos direitos, deveres e tratamento, eu os considero até corretos. O problema é quando esses grupos passam a conquistar direitos e tratamentos especiais. Nesse momento eles nem notam, mas, ao invés de se conquistarem a igualdade, estão, na verdade, se diferenciando cada vez mais.

O oprimido só é discriminado porque o opressor o vê como diferente. Se o oprimido conquista os mesmos direitos, tratamentos e deveres do opressor, passam a ser iguais. Agora, se o oprimido passa desse ponto e ganha direitos e tratamentos diferenciados em relação aos opressores... Se o opressor já via o oprimido como diferente antes, inferiorizando-o, agora só tem mais motivos para vê-lo como diferente, só que como superior.

É um laço de ignorância pura. Soluções paliativas sendo exigidas e concedidas, que só agravam o problema inicial.

E qual é o problema inicial?

Racismo, machismo, homofobia, entre outros, só existem por falta de educação. Por TODOS repassarem valores errados para as próximas gerações. Pela hipocrisia de utilizar-se da filosofia que vai lhe beneficiar, de acordo com cada ocasião. Exemplo clássico do feminismo: existem muitas mulheres que são até mais machistas do que os homens, caso isso as beneficiem.

Mas... Que... BOBAGEM!


No último dia 7 de julho, nos Estados Unidos, houve o "dia do orgulho heterossexual". E estão propondo que o dia 22 de julho seja o dia internacional contra a heterofobia.

Você acha esse tipo de coisa tão absurda quanto eu? Sim? Que bom.

Mas isso é só o reflexo do que eu estou comentando: os oprimidos conquistam mais espaço do que o necessário para serem iguais. Em vez de ensinarmos as pessoas a serem todos tolerantes e educados uns com os outros, despejamos toneladas de leis, regras e formas diferenciadas de tratamentos aos oprimidos. No fim, essas leis não surtem quase nenhum efeito, pois não estão inseridas na cultura das pessoas. Pior: os opressores notam que têm menos direitos e passam a exigir o modo diferenciado, também.

Um paliativo sobre o outro. E eu continuo perguntando: não seria mais fácil educar em vez de tapar o sol com a peneira?

Não deveríamos determinar leis gerais, que contemplem todos os casos? Todos juntos nos uniríamos sob um único direito e dever, igual para todos.

Eu sei que é difícil. Mas vamos tentar para de olhar só para o próprio umbigo e passar a nos importar com o bem coletivo?