sexta-feira, 20 de julho de 2012

Será que eu sou um Fascista?


Fascista. Nesta semana fui chamado de fascista.
Reconheço que já fui chamado de muitas coisas na minha vida. Muitas delas impublicáveis em horário livre para todas as idades.
Alguns complementos eu sei que mereci, enquanto outros adjetivos até hoje eu me revolto por ter recebido.

Mas vou confessar que eu não sei se a pessoa que me chamou de fascista está certa ou não.

Tudo começou com uma lei a respeito de interferência do Estado sobre reservas indígenas. Uma militante da causa silvícola utilizou o facebook para atacar a lei e defender sua causa.

Eu, que não me abstenho de uma boa discussão, coloquei a minha opinião na mesa.

Acredite ou não, são todos índios. Leia mais AQUI.
Eu creio que é uma maldade gigantesca manter – artificialmente – culturas do neolítico, em território brasileiro. Acho que já faz muito tempo que não existem indígenas de verdade. Que as reservas deveriam ser absorvidas pelo Estado brasileiro, sendo transformadas em novas cidades.

É importante mencionar ao desavisados que o termo “cultura do neolítico” não está no pejorativo. Muito pelo contrário, o termo “cultura do neolítico” é uma denominação técnica. Serve para situar e classificar as culturas humanas que se valiam de coleta, caça, pesca, início da criação de gado e das primeiras plantações. Culturas que utilizavam instrumentos de madeira, fibras de plantas e pedras (lascadas e polidas). Onde as habitações ainda eram naturais (cavernas e árvores) ou rudimentares (palhoças ou ocas).

Por um minuto, fiquei imaginando se eu sou tão ruim assim com os indígenas. Se eu estou perseguindo-os, tal qual um colonizador europeu, ávido em aproveitar-me deles.

Sabe porque tanto isolamento? Uma mina de Nióbio.
Que os índios exploram. Para que querem dinheiro?
Leia mais aqui!
Então revi os meus motivos para querer incorporar os nativos ao nosso Estado.

Primeiramente, as pessoas que vivem no Brasil não são européias, em sua maioria. Existem muitos descendentes de europeus, assim como existem muitos descendentes de africanos e asiáticos. Mas cada um desses descendentes é brasileiro por definição. Ninguém é responsável por ter nascido por aqui. Em um sentido amplo, eu sou tão dono dessa terra quanto qualquer índio que seja meu contemporâneo. Portanto, a alegação de que “esse chão já era deles” não tem muito fundamento, senão ser um argumento retórico fraco.

Em um segundo momento, as culturas indígenas não estão completamente isoladas. Eles já reivindicaram tantos direitos para com o “homem branco”, que o Estado brasileiro fornece a qualquer reserva saúde, educação, segurança e programas sociais diversos. Basta que a tribo solicite que já existe algum membro da FUNAI pronto para gastar dinheiro do “homem branco” com ações para a reserva. Isso sem falar, é claro, que os indígenas têm o trânsito livre. Assim, acabam vindo para as cidades, comprando “produtos da cultura dominante européia” e infectando sua própria cultura com os mais diversos utensílios, roupas, comodidades e tecnologias do “colonizador perverso”.
Todas as reservas indígenas do Brasil.
Eu não compreendo, sabe? A reserva não servia para que a tribo pudesse manter sua cultura? Não estamos desvirtuando o princípio ao deixar que a nossa cultura macule a deles?

Não, amigo. A meu ver, é errado segregar esses brasileiros do nosso modo de vida. A nossa cultura não é a ideal, mas é comprovado que já é a melhor que ser humano conseguiu desenvolver. O acesso à saúde, educação, segurança e tecnologia fazem com que a expectativa de vida do “homem branco” seja de pelo menos vinte anos a mais do que as dos indígenas. A mortalidade infantil é muito menor na nossa cultura. Privar nossos conterrâneos de uma vida maior, melhor e mais confortável é algo desumano.

Vou além: na história recente já vimos um exemplo terrível de lugar criado para segregar pessoas, deixando-as à própria sorte. Chamavam-se campos de concentração, lembram?

O ponto, aqui, é que a situação destas reservas é algo totalmente improvisado e insustentável. Na prática, são como países dentro do Brasil, que o Brasil ajuda com tudo o que eles precisam.  O “homem branco” não tem direito algum nestes locais em que índios detêm soberania. Mas, em contrapartida, o “homem branco” é responsável e tem o dever de ajudar com o que quer que os índios queiram. Afinal, “os índios sabem o que é melhor para eles próprios”.

Centro Poliesportivo e Cultural da Reserva Indígena
de Dourados - MS. Como assim cara-pálida???
Complicada e injusta essa história de um grupo de pessoas terem muitos direitos e nenhum dever, não acha?

Como a situação está longe da ideal, eu proponho duas soluções para esse impasse:

1 – Que o Brasil considere independentes todas as reservas. Façamos fronteiras e deixemos que cada povo indígena cuide de seu próprio país. Que cada um mantenha sua própria cultura, independentemente. Nós não entramos nos países deles, eles não entram no nosso, sem as devidas permissões burocráticas e legais.
Essa solução deve agradar aos defensores das causas indígenas. Afinal de contas, onde já se viu o “homem branco” entrar nas reservas com postos de saúde, médicos, medicamentos, vacinas e tratamentos? Isso é tirania. Isso é uma afronta à cultura de tratamentos com ervas medicinais e remédios naturais indígenas! E quanto a escolas? Para que o “homem branco” vai querer ensinar os fatos do mundo se não for para destruir a cultura ancestral dos índios? Que cessem as catequeses e deixem os povos indígenas passarem apenas o conhecimento que eles têm do mundo para suas crianças!
Claro que tudo isso é absurdo.

Escola em formato de Oca na Reserva Xapecó em SC...
2 – Que o Brasil transforme em cidades as reservas indígenas. Exija o cumprimento das leis eleitorais. Exija o recolhimento de tributos. Oficialize a prestação de serviços básicos de saneamento, moradia, vias urbanas e rurais, financiamentos de atividades de produção (agropecuária, artesanal e industrial), saúde, educação, segurança, programas sociais e demais benefícios. Transforme – oficialmente e de fato – os silvícolas em cidadãos brasileiros. Dê-lhes a chance de conquistar uma vida melhor. 
A oportunidade de eles compartilharem os seus conhecimentos únicos com a humanidade, através de trabalhos científicos em universidades. De serem reconhecidos pelo que são de fato, não pela alcunha de “pobres nativos explorados e massacrados pela história”.
Estou falando de dar possibilidade de dignidade, em lugar de manter a miséria da “indústria do coitadismo” instalada permanentemente nas tribos.

Ei índio! Sua cultura ainda não inventou os filmes.
Segundo seus defensores, você deve largar isso AGORA!
Eu já acho a miscigenação ótima. Leia mais aqui.
Porque nada disso é feito?

Primeiramente porque é conveniente para os políticos. Eles mantêm os povos indígenas quietos, ao entregar-lhes tudo o que precisam e não lhes cobrar nada. Esse panorama não muda porque ninguém parece notar a situação degradante.
Em um segundo momento, os poucos “homens brancos” que se envolvem na causa sobrevivem por causa da “indústria do coitadismo”. Fizeram da causa indígena seus trabalhos e, agora, não podem exigir soluções para os problemas visíveis. Ao contrário, “empurram com a barriga” a situação para manterem seus cargos assistenciais e, assim, garantirem o “pão de cada dia”.

Se por um lado eu quero absorver a cultura de outro povo, por outro lado quero isso para oficializar a mescla cultural que já existe, estendendo direitos, deveres e dignidade para todas as pessoas nascidas nesse país.

Será que eu sou fascista por querer trazer melhoria de vida para todos?
Continuo não sabendo. Aliás, gostaria que você me respondesse, ali nos comentários.