terça-feira, 3 de julho de 2012

Falou? Assuma.

Parece-me que foi ontem que meu pai citou para mim essa frase:

"O homem é senhor dos seu silêncio e escravo de suas palavras..."

Frase simpática, de Shakespeare.

Desde que ouvi essa frase eu compreendi que eu posso pensar o que eu bem entender. Minha mente é livre para imaginar qualquer coisa que eu quiser. É o único lugar do mundo onde qualquer outro só tem o poder que eu der a ele.
Agora, da boca para fora... A bendita hora que tu externaliza a energia que percorre as tuas sinapses...

Olha, amigo... Essa é a hora que perdemos todo o controle sobre o que imaginamos. E, pior. O pensamento que publicamos é cruel. As outras pessoas recebem a ideia e nos definem através dela. Quando abrimos a boca para falar qualquer coisa, estamos nos definindo e nem notamos. Estamos nos aprisionando no conceito que parimos.

Então eu passei a me policiar, sabe? Se as outras pessoas me julgam pelo que eu falo, eu quero ser julgado pelo máximo conceito. Eu simplesmente não tenho tempo para perder com conceitos errados. Com achismos infundados. Com lógicas vazias, sustentadas por argumentos superados.

Se eu sou as minhas ideias, eu não aceito ser menos do que o máximo.

Por isso leio. Por isso estudo. Por isso pesquiso. Por isso gasto todo o meu tempo avaliando e buscando algo. E eu não tenho vergonha alguma em voltar atrás em alguma opinião. Obviamente desde que a nova opinião seja mais sólida do que a anterior.

Sim, minha Humildade tem "H" maiúsculo e dourado, como diria Humberto Gessiger....

Só há um problema sem tamanho que noto à minha volta. Nem todas as pessoas utilizam as ideias dos outros como parâmetro. Ideais, conceitos, esforço, hombridade, honestidade... Estes valores estão há muito tempo soterrados por dinheiro, popularidade, ostentação e "quem pode mais, chora menos".

É a cultura do "Venha se dar bem você também" passando por sobre o bom senso, a moral, ética e bons costumes.

Na última semana, uma mulher veio discutir comigo por causa de uma denúncia que fiz. Uma amiga dela entrou na onda e tuitou o que quis, em resposta a sua amiga. Sua amiga, na intenção de me atingir, ainda retuitou o que a moça-que-não-quer-ser-identificada disse.

Aliás, os dizeres ainda estão na postagem, só que censurados.

Censurados porquê?

Porque a mulher-que-não-quer-ser-identificada sentiu medo do que disse. Notou que falou bobagem. Afirma aos quatro ventos que não sabia de nada, que não estava a par da discussão e que respondeu sem a intenção de me atingir.

A  mulher-que-não-quer-ser-identificada quer apagar vestígios. Sabe que me acusou de potencial assassino invejoso ou estava me ameaçando de morte, com citações do antigo testamento.

Palavra dita e a flecha lançada não têm volta, amigo...

Porque eu concordei em censurar a postagem?
Primeiramente porque a postagem alcançou um número de acessos maior do que os meus oitocentos fiéis leitores, que acessam diariamente este canal, fazendo-me transbordar em orgulho. Quem tinha que ler já leu. Aliás, lá na sexta-feira, mesmo. Sério, muito obrigado a cada um de vocês. 

Em um segundo momento, porque o pai/irmão/marido/namorado/amigo/colega/"eu-sei-lá-o-grau-de-relacionamento-dele-com-ela" que eu não vou identificar aqui, também (senão é capaz de continuarem me torrando o saco para ficar editando e censurando o Ponto Final), entrou em contato comigo. E ele foi educado. Insensato ao meu ver, mas educado. Aliás eu, completamente fora do meu comum, fui muito mais grosseiro ao telefone com ele, do que ele comigo. E a educação dele me cativou. Gente educada costuma ter poder sobre mim, sim.

E em terceiro lugar, eu teria essa maravilhosa oportunidade de passar esse recado: Tomem cuidado com o que vocês falam. A internet pode parecer um lugar maravilhoso. Um lugar mágico onde você é livre e pode fazer o que quiser! Mas nunca esqueçam que aquelas pequenas fotos nos perfis são outras pessoas. Tudo o que você fala na internet tem repercussão, sim. Alguém está lendo as coisas que você escreve. Você é, sim, responsável por tudo o que publica.

Por isso retorno ao início. Saiba do assunto antes de publicar qualquer coisa. Leia, estude, pesquise e se informe. Só depois dê o seu parecer.

E, quando der o seu parecer, tenha a capacidade de sustentar o que fala ou de se retratar publicamente, admitindo o erro.
1 - Sair por aí alegando que não sabe do que falou é vexativo.
2 - Apagar coisas que falou é completamente baixo.
3 - Exigir que outros apaguem as barbaridades que VOCÊ falou é totalmente humilhante.
4 - Ter que recorrer a outra pessoa para exigir que seu rastro seja apagado? É o fim.

Não me retrato pois eu não ofendi a ninguém. Não fiz comentários pejorativos. Não ameacei nem citei assassinatos em meus tuítes.
Não acho justo censurar o Ponto Final, mas faço para mostrar o nível da moral das pessoas, hoje em dia. Falam o que querem e não assumem, depois.

Sim. É exatamente o final.