terça-feira, 24 de julho de 2012

Restaurando a Fé no Brasil!

Acordei cedo no domingo. Enquanto a antiga vizinha do apartamento de cima às vezes andava de salto, batendo os calcanhares no chão, a nova vizinha bate os calcanhares com seu tamanco SEMPRE.
No domingo, lá pelas sete da manhã, os "toc's toc's toc's" já ressoavam pelo meu teto.
Como eu já fiz a reclamação  no sábado (que deverá gerar multa na próxima conta do condomínio, para a vizinha), esse problema já deve estar resolvido a esta altura.


Só que acordar tão cedo no domingo me fez ligar a TV. O canal era a Globo. Estava passando o Globo Rural. Eu até ia mudar de canal. Mas a reportagem que estava passando me prendeu.


Procurei no site da Globo e encontrei uma matéria a respeito:
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/07/trabalho-em-grupo-transforma-vida-de-pequenos-produtores-no-es.html

Basicamente, alguns moradores de uma comunidade fizeram uma associação. Essa associação iniciou-se com um abaixo-assinado para reclamar de alguém que estava fazendo uma coisa errada.

Após vencerem o seu problema, a associação passou a receber visitas de técnicos e instrução de como produzir mais. Em associação, os produtores de café implantaram os métodos modernos de cultivo, produção e trabalho, aumentando o rendimento e qualidade do café produzido. O que, obviamente, aumentou a procura pelo produto de qualidade, fazendo seu o preço de venda aumentar também.

Como tudo passou por uma associação e uma cooperativa, essas instituições passaram a lucrar, também. A associação, então, passou a utilizar este dinheiro para efetuar melhorias para a comunidade. Fossas sépticas para todas as residências, recolhimento de lixo doméstico, telecentros com acesso a internet e cursos para especialização, modernização e diversificação da produção.

A prosperidade se instalou nessa comunidade e parece-me que não sairá de lá tão cedo.

No que isso me aumente a fé no Brasil?

Simples: essa associação e a cooperativa poderiam estar voltados, apenas, para fins comerciais e/ou políticos. Mas não. Faz muito tempo que eles estão engajados e o interesse de cada produtor na comunidade é, simplesmente, o bem maior.

A produção é solidária. Quando um dos produtores precisa de mão de obra, os demais trabalham em sua propriedade. Não existe dia sem afazeres agendados para serem cumpridos. As produções são unidas e cotizadas. O café é selecionado, seco, torrado e vendido de acordo com sua qualidade.

As vendas são efetuadas para empresas que comercializam no varejo, para exportação e para programas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos - PAA.

Com o dinheiro excedente, os produtores cuidaram de seu pequeno riacho, que recebia o esgoto de todas as residências da comunidade. Segundo relato na matéria, um dos moradores afirmou que "sentia vergonha do cheiro do riacho no verão". Instalaram sistemas de fossas sépticas em todas as residências, fazendo o riacho voltar a ficar limpo. Além disso, utilizam a água das fossas - 95% limpa depois do processo - para irrigação.

O dinheiro excedente foi utilizado, ainda, para adquirirem maquinário para o processamento do café.

Atentos aos programas nacionais, solicitaram um telecentro com acesso à internet, para cursos e acessos.

Atentos à reciclagem, passaram a recolher o lixo de todas as casas e a vender o material reciclável.

De 1991 até 2012 são vinte e um anos. Tempo o suficiente para que o interesse pessoal de alguém sobrepujasse o bem coletivo. Mas isso não aconteceu. As pessoas, ali, estão preocupadas em trabalhar duro. Em melhorar a qualidade de vida de todos. Em viverem e serem felizes.

Sim, isso tudo é no Brasil. No mesmo país onde temos milhões de pessoas que fazem da política o seu ganha-pão.

Ainda no domingo, passado o Globo Rural, assisti à Fórmula 1. Passada a Fórmula 1, fui ao Bourbon.
No mercado onde "só gente rica" vai (até parece...), dois homens conversavam, bloqueando o corredor de cervejas:
"Tu viu o candidato XXXXX?"
"Ah! Eu vi sim! Mas ele é fraco! Tá entrando na campanha só com cinquenta mil!"

Puta que os pariu, viu?
Que merda de política é essa, em que o valor que o candidato tem para gastar em sua campanha reflete a sua qualidade?
A qualidade de um candidato está em suas preocupações com o lugar onde mora. Com as ideias que possui para resolver os problemas a que ele é sensível. Com a capacidade de angariar recursos em outras esferas para subsidiar as melhorias para a sociedade. Com a disponibilidade para que a população entre em contato direto com ele. Com a disposição em efetuar o que a população precisa, rapidamente!


Porque, no final das contas, cada prefeitura nada mais é do que uma associação de uma comunidade, para coordenar os esforços dos moradores, revertendo o resultado do trabalho em melhorias para todos. Assim como os plantadores de café fazem a mais de vinte anos.


Por isso eu restauro um pouco da fé. Porque as pessoas que não se corromperam tratam a política com ideologia.

São os deturpados que se utilizam do bem comum para encher os próprios bolsos, tornando-se sanguessugas profissionais. São as pessoas que esperam por cargos de confiança quem militam por esses políticos aproveitadores. E são os idiotas cegos que votam nesses políticos ladrões.
Todos imbecis, que fazem da troca de favores a base de seu poder, desapropriando o princípio básico do ofício de gestor público.

Por fim, vou deixar um vídeo que me encheu de esperanças. E que, espero, toque você, também!