quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Ignorância que gera a Violência...

Tem aquele idiota. Sabe? Aquele arremedo mal feito de ser humano, que insistiu demais em respirar e, hoje, anda por aí. Ele engana muito bem, até. Quase se faz passar por uma pessoa normal. Mas é um completo doente mental.

Aí, esse babaca bate em uma mulher, em um negro, em um idoso, em um índio, em uma criança ou em um homossexual.
Aí, esse energúmeno é um "homem-branco-adulto-heterossexual".

A primeira coisa que fazem é chamá-lo de preconceituoso. Ele é um machista. Um homofóbico. Um pedófilo. Um racista.

Então, a "minoria" (no Brasil, mulheres, crianças somadas aos idosos e negros são mais numerosos que homens, adultos e brancos...) se une contra a característica do agressor.

Manifestações preconceituosas contra o "homem-branco-adulto-heterossexual" acabam gerando leis mais preconceituosas, ainda.

Leis que só reafirmam outras leis que já existem, para a "minoria" (estranho: as leis só são aprovadas por maioria de votos...). Assim, não bastam pessoas não poderem bater em outras pessoas: homens não podem bater em mulheres. Brancos não podem bater em negros. Adultos não podem bater em crianças ou idosos. Heterossexuais não podem bater em homossexuais. Uma redundância legislativa que deveria garantir que ninguém mais prejudicasse ninguém! Certo?

Bem, errado. Empilham-se leis específicas sobre as gerais, aparentemente em vão, porque os casos de violência e preconceitos continuam acontecendo! Homens continuam batendo em mulheres. Heterossexuais continuam batendo em Homossexuais. Brancos continuam batendo em Negros. Adultos continuam batendo em Crianças e Idosos.

O que está acontecendo de errado? Onde estamos errando?

Ah! É para responder a essa pergunta que eu escrevi esse texto!

O problema, caros amigos, está no princípio.
Um exemplo prático:
Feministas militam para ganharem leis que as defendam dos homens. Porém, não são os homens o problema: é a VIOLÊNCIA.

O mesmo acontece com negros que exigem leis para se defenderem dos brancos. Não são os brancos o problema: é a VIOLÊNCIA.

E o mesmo se repete com cada um dos outros grupos.

O problema é que as "minorias" acabam tão ou mais preconceituosas do que as "maiorias" que as atacaram.
Quando uma mulher diz que "nenhum homem presta", que "todo o homem é machista" e exige uma lei para proteger-lhe "de todos os homens", ela não nota, mas está jogando em uma vala comum os trogloditas que eu citei no início do texto, os homens de bem e até mesmo os homens que defendem o feminismo!

E o mesmo acontece com as outras "minorias": ao exigirem legislações específicas, estão sendo tão ou mais preconceituosos que os grupos de ódio que lhes atacaram.

A solução aqui, amigos, não passa nem perto de legislações especiais. Mas, sim, do reforço às legislações já existentes. Passa por mais educação vinda de casa. Passa por mais consciência da liberdade de cada um.


Porque, sem orientação vinda dos pais, as crianças crescem sem saber discernir o que é bobagem e o que é importante. E, em um mundo bombardeado por informações, como o nosso, isso é perigoso.


Chegamos ao cúmulo, por exemplo, de um Comediante como o Marcos Piangers, do Pretinho Básico da rede Atlântida, não poder fazer um comentário relacionando Síndrome de Down com pessoas com algum defeito, sem que uma multidão de pessoas reclame disso.
Ora bolas povo. O cara é um CO-ME-DI-AN-TE. Ele faz PI-A-DAS para sobreviver. Tá certo, você não é obrigado a gostar das piadas dele. Troque de estação ou desligue o rádio, então. Mas, ao invés disso, achar que um comentário de um piadista deve ser levado a sério, elevando-o à categoria de "formador de opinião"? Caramba, coitado do vivente que "forma opiniões" assistindo ao Pretinho Básico - ou a qualquer outro programa de humor do MUNDO!

É, mas eu esqueci. Sem orientação de casa, o povão busca sabedoria em qualquer mídia. E, quando se sentem atacados, preferem reclamar por leis, do que procurarem se educar...

Bem, ontem pela manhã, no programa Gaúcha Hoje da Rádio Gaúcha, o @CARPINEJAR comentou sobre a minha antiga profissão, técnico em informática, em seu texto "Quando o Computador Estraga". Detonou o atendimento, orientações, explicações, forma de cobrança, educação, inconveniência e a qualidade do serviço de todas as pessoas que arrumam computadores à domicílio. Mas fique tranquilo, Carpinejar. Eu entendi o que você quis dizer. Em vez de sair às ruas exigindo leis que defendam os técnicos em informática dos clientes malvados, eu ri contigo. E juro que estou me policiando mais para prestar meus serviços (embora diferentes, hoje em dia) com mais presteza e qualidade.

E se há algo nas piadas que deve ser levado em consideração, não é o ato indicado, em si. Mas a crítica social por, justamente, ainda efetuarem o ato destacado. O Piangers não quis afirmar que as pessoas com Síndrome de Down possuem defeitos cerebrais. Ele - assim como qualquer artista - utiliza-se do espaço que têm para ressaltarem o absurdo das relações do dia-a-dia. Nos fazendo rir de quão babacas nós próprios somos. Assim como eu ri do péssimo profissionalismo dos técnicos de informática.

Não adianta ficar revoltado com as coisas. É preciso mudá-las em suas essência. Lá na educação básica de cada cidadão. Para que a violência e a discriminação não sejam corriqueiras no nosso dia-a-dia nunca mais. Senão corremos o risco de nós mesmos nos tornarmos o ignorante, lá do início do texto...



Ps - Há alguém no mundo que defenda uma causa, sem ser vítima direta ou indireta do motivo do protesto?