quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Entrevista Diogo Mainardi ao Roda Viva

Assisti a uma parte da entrevista que o Diogo Mainardi concedeu ao programa Roda Viva, na última segunda-feira.

Confesso que, por ser fã incondicional de Futebol Americano, estava pulando entre o Monday Night FootBall e o Roda Viva.

Porém, peguei algumas declarações do Diogo Mainardi, que me fizeram pensar.

A primeira foi sobre o tal “amor incondicional” que ele afirma ter sobre o filho dele.
Louvável e bonito.

Mas fiquei pensando sobre essa frase dele. Prontamente, relacionei com os relatos de várias pessoas que têm filhos. Sobre como cada um deles comenta que os filhos os transformam. Sobre como afirmam que os seus filhos mudaram suas vidas.

A famosa frase “agora que eu tenho um filho, não é para mim que eu trabalho...” ou o dito “agora que eu tenho um filho minha vida tem um novo sentido...”

Isso me leva até a segunda declaração que Mainardi colocou: ele, agora, vive para o filho dele. Mora aonde é melhor para o filho dele (que possui um problema cerebral, causado por um mau atendimento médico durante o parto). Trabalha o suficiente para sustentar o filho dele e para poder estar ao lado do filho o máximo de tempo possível. Deixando bem claro, as declarações de Mainardi me levaram a inferir que o pai vive em função do filho.

Relaciono, então, esse comportamento que o Mainardi afirma ter com os outros pais da nossa geração. Homens e mulheres que simplesmente esquecem-se da própria vida quando seus filhos nascem.

Sim, de um lado pessoas que dão de ombros totalmente ao futuro de seus filhos, não passando nenhum valor ou passando valores completamente errados.
Do outro lado, pessoas que super estimam as relações com seus filhos, superprotegendo as crianças do mundo, não passando valores ou passando valores completamente errados.

Aí, eu chego à terceira afirmação feita pelo Mainardi, que me chamou a atenção: “Na internet só tem idiota”.

Concordo. Mas é bom lembrar que a esmagadora maioria desses “idiotas” que estão na internet são os mais jovens. Justamente esses adolescentes superestimados, superprotegidos e sem quase nenhuma carga de valores a defender. Adolescentes que deveriam ser instruídos pelos seus pais.

Disso tudo eu fico pensando, então: estamos com uma geração de adultos que lambe o chão por onde suas crianças passam. Mas somente as suas próprias crianças. As crianças dos outros são – sempre – fedelhos mal educados, irritantes e “idiotas”.

O mais irônico é que, para quem “olha de fora” essa situação toda, todas as crianças são fedelhos chatos, mimados e exigentes. Inclusive o seu próprio filho, se você conseguir olhar imparcialmente para o comportamento dele.

Li outro dia o texto “Epidemia de Amor pelas Crianças”, de Contardo Calligaris, onde ele chamava a atenção das pessoas sobre como as crianças eram vistas pelos adultos de outras épocas. Até menos de duzentos anos atrás, a igreja tinha certa razão em ser contra os métodos contraceptivos: precisava-se de mão de obra para as lavouras e colocar crianças no mundo era a forma mais rápida, barata e moralmente aceita de se conseguir trabalhadores. Mesmo porque os pais não tinham tantas obrigações para com os filhos, como os pais de hoje têm. Bastava um teto sobre a cabeça, roupas para enfrentar o inverno e um prato de comida sobre a mesa para que tudo estivesse bem. O resto? A criança devia respeito e auxílio prestativo a qualquer adulto.
Gostei muito de uma frase que Calligaris atribui a um tio seu: “Criança tem um defeito: o de ser ainda só uma criança!”

Ou seja, a missão única e específica de uma criança era a de se tornar um adulto. Aliás, o quanto mais rápido, melhor. Talvez por isso, nós escutamos tantos relatos de nossos avôs, que dizem que “com 15 anos eu já trabalhava” e coisas do tipo. Hoje, com sorte, nossos imberbes ficam prontos para o mercado de trabalho com 25 anos. E mesmo assim em caráter de estagiários...

Temos pouquíssimas pessoas do tipo “get things done” prontas, antes dos trinta anos. Aliás, se você conhece alguém com menos de trinta que resolve os problemas que são postos a ele, mantenha, lapide e incentive essa jóia rara.

Essa massa de adultos infantilizados estão colocando no mundo crianças e não estão sabendo transformá-las em novos adultos. Os adultos estão criando uma horda de crianças “idiotas”. E tudo isso é culpa direta da supervalorização e do amor exagerado que os pais têm dado para os filhos.

Talvez... E é só um talvez... Não seja só o seu filho que esteja precisando de alguma orientação, mas você, também...