sábado, 4 de agosto de 2012

Mais do Mesmo: Usar as Olimpíadas para desviar o Mensalão

Em uma semana cansativa, escrevi vários inícios de textos, sobre diversos assuntos.

Mas dois temas me chamaram mais a atenção que o resto. Tanto que tive que escrever sobre eles e passá-los à frente de outros já programados.

Primeiro, eu continuo na minha sina de encontrar novas músicas para escutar durante o trabalho.
Eu sempre pensei que fosse muito eclético, sabe? Mas, ao vasculhar as opções de músicas existentes, estou notando que não é bem assim. Não é qualquer música que me agrada.
Mas aí eu fiquei pensando: escuto desde o bom samba raiz, passando por MPB clássica, alguma coisa de choro, passando pela nova MPB, pop nacional, rock gaúcho até o rock nacional... Música internacional me agradam o folk, o pop e rock. Nesse exato momento, estou escutando Cajuína, do Caetano Veloso, depois de ter passado o dia inteiro escutando Nirvana, Oasis e Blur...

Enfim...

Encontrei uma gravação de um show de Be&Thoven, datado de 1997. Coisa fina. Dá para ver, exatamente, como o nosso humor não evolui. Passam os fatos e continuam as mesmas piadas com o nosso país. Corrupção, falta de moral, falta de vergonha na cara, roubos, problemas sociais diversos. Até o Tiririca está em uma música de 1997, do  Be&Thoven .


Surpreendente como os tempos não mudam. Minha infância não era diferente dos dias de hoje. Os adultos não são diferentes, as crianças não são diferentes. Nada é diferente. Talvez a única coisa diferente seja o fato de eu ter perdido a inocência da infância. O resto? Tudo igual.




(Reclamando da qualidade dos celulares... EM 1997!!!)

Meu segundo tema é sobre a rádio Gaúcha. Escuto o programa “Gaúcha Hoje”, todos os dias, enquanto me arrumo e vou para o trabalho. Ontem aconteceu uma coisa interessante.
A comentarista de política Caroline Bahia – direto de Brasília – estava falando sobre o julgamento do Mensalão. Iniciou o seu comentário narrando o que havia acontecido na quinta e, quando começou a passar suas impressões, o âncora do programa a interrompeu.
O motivo? Uma Luta de Judô de um brasileiro, nas olimpíadas.

Eu entendo. 
Mídias abertas (TV, Rádio, Jornais, etc..) são reféns do seu público e dos seus patrocinadores. Patrocinadores só anunciam em veículos com muito público. Por isso, as mídias devem publicar o que o público tem interesse. Como brasileiro só gosta de lixo, a indústria da mídia acaba veiculando só “o que interessa mais ao público”.
O veículo que ousa quebrar essa corrente acaba com uma parcela tão pequena do público, que não consegue patrocinadores. Sem patrocinadores, não têm dinheiro para continuar operando e... morrem!


Por isso suplantaram um tema importante (julgamento do mensalão), para darem evidência a uma bobagem transitória (olimpíadas).


"Ai Arthur, tu não apóia o esporte??" 
Não. Assim como o Brasil inteiro não apoia nenhum esporte que não seja o futebol. Ou tu vai me mentir que vai a TODAS as etapas de campeonatos de judô, tênis de mesa, natação, ginástica e atletismo, dos que pode? 
Não, né? Então, nem eu. Então porque o interesse no gordão do judô que tu nem sabia que existia, até hoje?
Aliás, em se tratando de Brasil, não ficaria surpreso se mais da metade dos próprios familiares dos atletas não os apoiassem...


O problema é outro, sabe?

Assim como falta o hábito de iniciar as crianças nos diversos esportes (e dar o suporte, depois), falta o hábito de iniciar as crianças na política, no civismo, na moral e bons costumes.

Mas esses são problemas recorrentes. O Brasil têm sido assim faz tempo. Nós é que temos a memória curta e não lembramos de nada, nunca. Na dúvida, continuamos a rir das mesmas piadas eternamente, feitas com as mesmas situações. Só os personagens mudam, mesmo...