quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Porque os Carros são Caros no Brasil?

A explicação é longa. E demanda conhecimentos comprovados (que já citei no Ponto Final, antes) para que o entendimento seja completo.

Os gametas masculinos são abundantes. Os gametas femininos, raros. Homens produzem milhões de gametas em um único dia. Mulheres nascem com algumas centenas, que vão amadurecendo conforme ela envelhece.
No prazo de nove meses, uma mulher consegue ter um filho. Tá, ok. Teve uma, anos atrás, que teve oito. Mas, convenhamos, isso foi um único caso. O normal é a mulher ter um, no máximo dois ou raramente três filhos em uma gestação. Sem falar que a mulher acaba com a "evidência física" da gestação. Ela não tem muito o que fazer, senão acabar sacrificando mais alguns anos, cuidando do filho.
No mesmo prazo de nove meses, pense - deixando a moral e bons costumes de lado - em quantos filhos um homem pode ter. Lembre-se dos milhões de gametas. Um homem saudável pode engravidar mais de uma mulher por dia, se tiver a oportunidade. Em nove meses, são, pelo menos, 270 dias. Multiplicados por dois, podemos chegar a 540 gestações! Algumas dessas podem ser de gêmeos, ainda. E o nosso promíscuo exemplo ainda é irresponsável: depois dos nove meses, não cuida de nenhum filho. Está pronto para mais nove meses de orgias.

Notaram porque a mulher deve ser seletiva? Porque ela - instintivamente - procura pelo melhor parceiro?

Os mecanismos evolutivos, entretanto, não poderiam acontecer sem uma certa ironia...
As mulheres passaram a procurar somente por homens que as auxiliassem a cuidar da criança. Esses homens são mais sensíveis. Assim, elas fizeram a primeira "seleção natural": não tiveram filhos dos mais brutos.
Os homens mais sensíveis e mais inteligentes tiveram mais sucesso em passar seus genes, acelerando o processo de racionalização da nossa espécie. Sim, homem moderno: se você se acha muito valentão, saiba que você é um florzinha perto dos homens das cavernas.

O problema nessa história, é a entrada da propriedade privada na história toda. Mulheres querem estabilidade. E, antigamente, para poder manter suas posses,os homens precisavam ser fortes o suficiente para espantar adversários.

Nossa seleção deixou de ser natural a partir daí. Com o advento do dinheiro, só piorou. Mesmo porque, nem sempre quem tem mais dinheiro é a melhor pessoa. Aliás, a chance de ladrões e trambiqueiros terem mais dinheiro do que gente honesta, correta e inteligente, é até maior.

Nisso tudo, as mulheres ficam perdidas. Enquanto uma parte dos seus instintos mandam-nas ficarem com o cara sensível, inteligente, compreensivos e legais, outra parte mandam-nas ficarem com os fortes, brutos, espertos e ricos, que lhes darão estabilidade de diversas formas.

Aí é que mora o porquê do alto preço dos carros, no Brasil.

Somos um povo sem parâmetros. Sem desafios. Não temos a cultura do conhecimento. Da inteligência. Da real criatividade, aquela aplicada às ciências e tecnologia. Não temos um único instituto ou faculdade de ponta, que lança maravilhas todos os anos para o mundo.

O que temos porque aqui são "celebridades" de televisão, cinema e música. "Esportistas" da bola. "Profissionais" da política. Gente que recebe muita atenção e dinheiro em relação aos serviços que prestam às pessoas comuns.

Claro que o ideal seria o "ser" antes do "ter". Mas estamos em um ambiente de sub-desenvolvimento, onde que é importante é relegado a um segundo plano e o insignificante é super-estimado. Aqui, "aparentar ter" é até mais importante do que o "ter".

E, em um país continental, "planejado" para o transporte automotivo, o símbolo máximo da aparência são os carros. Aqui, o cidadão não tem o que comer em casa. Sua casa é um barraco alugado. O próprio carro pode ser um Chevete 89, dividido em 60 prestações de mil reais. Mas... mesmo assim... O bobalhão coloca um som estridente e mal regulado, o braço para fora da janela e bota banca de gostosão.

E, pior, as menininhas se derretem pela "sonzera" funk que o idiota colocou na rua. Fazem filas para dar pro cara.

Porque os carros, no Brasil, são caros? Porque cada um de nós (homens e mulheres) fazemos dele um membro da família. Os carros, aqui, são a extensão da masculinidade de cada homem. E são os parâmetros de sucesso que as mulheres medem em seus pretendentes.

É claro que existem exceções. Evidente que existem homens que fazem pouco caso dos veículos. Mas, se formos ver bem, estes são, justamente, os que tem maior capacidade intelectual e raciocinam que um carro não é tão importante... ou os que morrem de vontade de ter um carro e não podem, demonstrando despeito pura.
Assim como existem exceções nas mulheres. Geralmente as mulheres mais inteligentes procuram por outros fatores em um homem que não o modelo e ano do carro que ele tem. Ou as que já são bem sucedidas o suficiente para ter o próprio carro e não ligar tanto para esse quesito, claro...

Quando vamos ter carros a preços reais? Primeiramente, quando o Brasil notar que o transporte por automóveis (carros, ônibus e caminhões) é caro e ineficiente para um país de dimensões continentais. Precisamos de trens, hidrovias e transporte aéreo de qualidade, rapidamente.

Em cidades, metros, taxis, coletivos e planejamento urbano urgente!

Então, passaremos a ver os carros como em muitos países civilizados. Um amigo meu que mora no Canadá me conta que lá é comum o cidadão comprar um carro só para uma demanda. Uma viagem, um trabalho, um evento, etc... Passada a demanda, o cidadão vende o carro, para não ficar com o dinheiro parado e desvalorizando.

Esse pensamento só mostra o que é um carro, na verdade: uma despesa! Sim, você pode achar que sem o seu carro você não vive. Mas está enganado: carros são buracos negros de dinheiro. Um membro da família, nos quesitos "tomar tempo" e "queimar grana".

Mas, né? No final das contas o cara que o carro para "pegar mulher" e a guria quer um namorado com carro para "se achar para as amigas"...